UM OLHAR SOBRE O NOVO MUNDO

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O termo “novo mundo” pode parecer óbvio para alguns, exagerado para outros. Independentemente de como você pretende denominar as mudanças no contexto socio-economico-politico-cultural-cognitivo-organizacional que estamos vivenciando, você há de convir que há uma nova atmosfera no ar. A polêmica geração do milênio não apenas tirou seus líderes da zona de conforto como, ao assumir posições de liderança, quebrou paradigmas e tem promovido profundas transformações em todos os setores da sociedade. Tem suas dúvidas? Vamos analisar o contexto e as tendências. Será que estamos enxergando a mesma realidade?

Política

A geração que cresceu na democracia, vivenciou a prosperidade econômica e beneficiou-se dos avanços tecnológicos é considerada por muitos uma geração alienada. As manifestações de 2013, orquestradas de forma descentralizada, com efeito viral pelas redes sociais, que levou milhões de pessoas às ruas em todo o Brasil, evidenciam para outros uma atuação política diferente. A Anonymous, espécie de comunidade online descentralizada que atua de forma anônima e que se autointitula como  “ideia de  revolução”, é um conceito no mínimo perturbador para mentes mais conservadoras. Eles se utilizam da internet para promover ações que visam garantir a transparência, a liberdade de expressão e o fim da corrupção. Uma postura politizada sem partidos, sem identidades, sem líderes.

Economia

Um novo tipo de dinheiro, que opera utilizando a tecnologia ponto-a-ponto, transferida de pessoa para pessoa, sem a necessidade de uma autoridade central ou banco pode parecer impossível, ou improvável. Mas o Bitcoin não só existe como 1 bitcoin valia US$ 427,31 quando este texto foi publicado. De qualquer forma, talvez o dinheiro não seja tão valioso assim para as futuras gerações, que tendem a preferir o acesso à posse. A plataforma Bliive, por exemplo, permite a troca de tempo, sem qualquer moeda envolvida e a Tem Açúcar?, incentiva o empréstimo de coisas entre vizinhos. Organizações como a Oui Share, com atuação global, fomentam a economia do compartilhamento.

Educação

Um cérebro que recebe múltiplos estímulos por meio de diversas fontes de informação simultâneas, que tem aparelhos eletrônicos como extensões da memória e coleta informações da internet de forma não linear não se adaptada ao modelo educacional atual, como explica Marta Relvas no livro  “Que cérebro é esse que chegou à escola?”. Uma geração de “distraídos” tem recebido reforço de Ritalina (medicamento indicado para TDAH) para se adaptar às disciplinas – das regras às matérias – exigidas pelas escolas e universidades tradicionais. Enquanto isso, o pedagogo José Pacheco estimula um aprendizado por interesses, interdisciplinar e sem turmas na Escola da Ponte, em Portugal. O desafio vai muito além de engajar os jovens. Informação e conhecimento estão disponíveis em diferentes formatos. Podemos acessar a qualquer momento os cursos das 140 principais instituições de 28 países que estão disponíveis gratuitamente pelo site Coursera, por exemplo. A grande questão é lidar com o excesso. A educação deve passar por uma curadoria de conteúdos com base em objetivos e contextos pré-definidos, mas isso é tema para outro post.

Trabalho

“Vamos acabar com os gerentes nas empresas” é a reflexão-convite que Carlos Nepomuceno faz em entrevista à Época Negócios. No entanto, o fim das estruturas hierárquicas e o surgimento de modelos mais horizontais e colaborativos já são realidade no ecossistema de startups. Para citar apenas um, o Goma é uma organização que se define como um laboratório de gestão compartilhada, um grupo de empreendedores que compartilham o espaço físico (um casarão no Centro do Rio de Janeiro) e oportunidades de negócios. Muito ousado? Há 238 opções de espaços de coworking (escritórios compartilhados) de acordo com o Censo 2015 da Coworking Brasil em todo o País. Por falar em empreendedorismo,  esta pesquisa da Endeavor  conclui que 6 em cada 10 universitários querem empreender. Real vontade de abrir um negócio ou desejo latente de autonomia, prazer e liberdade como mostra este vídeo da Box 1824? Segundo o IPEA, a contratação de jovens cresceu 85% na última década, mas os desligamentos subiram 94%. Se a tendência for essa, quem serão os sucessores quando os experientes se aposentarem? Isso se não surgir um Uber do seu mercado,  chacoalhando seu setor, antes.

As empresas que não se reinventarem e adotarem práticas de gestão do conhecimento e novos métodos de capacitação e retenção de jovens profissionais terão desafios ainda maiores do que lidar com as naturais transformações do seu mercado, cada vez mais dinâmicas. Peter Senge já dizia na década de 90, “a capacidade de aprender contínua e rapidamente é a única vantagem competitiva sustentável”. Se o que você acabou de ler mexeu com você de alguma forma, deixo o convite para acompanhar este blog Gestão Consciente. Ele foi criado pela Rede Indigo para gerar reflexões e compartilhar conhecimento para mobilizar pessoas e organizações para este novo mundo que está surgindo. Ninguém tem a resposta certa. Vamos cocriar possibilidades? Temos um encontro marcado aqui. Vem com a gente?

 

CAMILA PIRES

Camila Pires, Fundadora da Rede Indigo, é apaixonada por aprender, por empreender e por desenvolver pessoas, equipes e organizações. Ela tem uma formação multidisciplinar que passa por comunicação, gestão do conhecimento, gestão empresarial, coaching, neurociências pedagógicas e inovação. Para saber mais sobre sua formação e experiência profissional, acesse seu perfil no LinkedIn.