A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DO CONHECIMENTO E DAS TECNOLOGIAS COLABORATIVAS EM DESASTRES NATURAIS

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Recentemente um terremoto de magnitude 6,2 atingiu a região central da Itália, deixando mais de 290 mortos e milhares de desabrigados. A localização próxima ao atrito de placas tectônicas faz com que o país seja suscetível às atividades sísmicas. Infelizmente, a Itália não é a única nação a sofrer com terremotos. Japão, Chile, Haiti, China, Sudeste Asiático e algumas regiões dos Estados Unidos também são áreas vulneráveis.

Desastres naturais desse tipo requerem medidas emergenciais no socorro às vítimas e no resgate de possíveis sobreviventes, sendo fundamentais o acesso e o compartilhamento de dados e informações na corrida contra o tempo. Ter o conhecimento preciso no momento adequado em situações complexas pode ser determinante para tomadores de decisão. Conectar pessoas e instituições em rede que possam compartilhar informações estratégicas também contribui para a redução de risco em desastres.

 

Aprendendo com experiências anteriores

Muito pode ser aprendido com ações – bem sucedidas ou não – desenvolvidas em desastres naturais anteriores. De acordo com a Reuters, a Itália já foi atingida por 36 terremotos com uma magnitude de 5 ou mais desde 1900. O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, anunciou esta semana a intenção de criar um plano nacional, chamado de Casa Italia, para tornar o país mais seguro contra terremotos e que inclui, dentre outros itens, a construção de casas resistentes a abalos sísmicos.

Mais de 750.000 pessoas morreram em terremotos e tsunamis nas últimas duas décadas, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR, sigla em inglês), criado para servir como o ponto focal do Sistema das Nações Unidas para coordenar atividades de redução do risco de desastres. No seu site, é possível ter acesso a estatísticas, dados e análises sobre desastres; à biblioteca online com mais de 10.000 publicações, produtos multimídia e recursos educacionais sobre redução do risco de desastres; a centenas de publicações produzidas com parceiros que podem ser baixadas gratuitamente; a terminologias para nivelar conhecimento sobre o tema; e ainda a plataformas colaborativas como o site PreventionWeb, destinado a reunir e compartilhar conhecimento da comunidade especialista em redução de risco de desastres.

Além da UNISDR, existem outras instituições ou grupos de voluntários que elaboram práticas sistematizadas que podem ser replicadas ou adaptadas em desastres naturais, assim como conectam atores importantes para a prevenção e a mitigação de riscos em desastres. A organização americana Team Rubicon, por exemplo, une as experiências e habilidades dos veteranos e das equipes de primeiros socorros para ajudar rapidamente nas catástrofes. A contribuição das tecnologias colaborativas Atualmente, as tecnologias colaborativas são grandes aliadas na gestão do conhecimento sobre desastres. Assim como aconteceu no Nepal no ano passado, quando dois terremotos deixaram mais de 8.500 mortos, algumas empresas de tecnologia adotaram medidas para ajudar nos esforços de resgate na Itália.

O Facebook habilitou sua ferramenta de check-in de segurança, que permite que se verifique quem está seguro em um desastre. Algumas operadoras de celular ofereceram envio gratuito de mensagens de texto e fizeram campanhas para doações por meio de SMS, assim como reforçaram a rede de telefonia e a cobertura de internet na região atingida. O site OpenStreetMap, alternativa ao Google Maps, atualizou os mapas das áreas afetadas por meio de imagens de satélite, indicando abrigos e outras informações úteis para os sobreviventes. O Airbnb cancelou as taxas de serviço das áreas afetadas pela tragédia, para que as pessoas pudessem hospedar as vítimas do desastre gratuitamente até dia 11 de setembro.

No terremoto de 2010 no Haiti, agências americanas usaram redes sociais e espaços colaborativos como os principais meios de compartilhamento de conhecimento. De acordo com Dave Yates e Scott Paquette, da Universidade de Maryland, que publicaram em 2011 um estudo de caso sobre o uso de redes sociais neste terremoto do Haiti, “a resposta a desastres pode ser o ambiente ideal para ‘provar o valor’ das redes sociais como uma plataforma séria de gestão do conhecimento” (p. 6). Os autores analisam que o modelo tradicional de gestão da informação para resposta a desastres era a centralização, com sistemas que faziam a gestão do conhecimento em silos, o que facilitaria a recuperação da informação.

No entanto, as tecnologias colaborativas, redes sociais e wikis, quando usadas apropriadamente, também podem ser úteis por proporcionarem uma “estrutura flexível e inovadora e por poderem ser utilizados por muitos indivíduos, departamentos e organizações externos para a efetiva aquisição, compartilhamento, uso e manutenção do conhecimento” (p. 12).

 

A força da rede pode potencializar a troca de conhecimento e experiências e contribuir para o aprendizado coletivo. Assim, a resposta a desastres como o que aconteceu na Itália pode ser mais rápida e eficiente, contribuindo para salvar vidas.

 

LARRIZA THURLER

Larriza Thurler é tecnófila e hiperconectada. Jornalista e doutoranda em Ciência da Informação, encontrou nas pesquisas sobre redes sociais, dinâmicas de comunicação e gestão do conhecimento seu habitat perfeito. Para saber mais sobre sua formação, experiência profissional e reflexões sobre seus interesses de pesquisa, acesse sua página no LinkedIn.