A FUNÇÃO DA TI NA GESTÃO DO CONHECIMENTO

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Há hoje um entendimento latente de que a vantagem competitiva das organizações depende da sua capacidade de criar, transferir, utilizar e proteger os ativos de conhecimento. De fato, a lógica dominante da era industrial requer uma compreensão de como quebrar a barreira de aprendizagem no sentido de compreender a era da informação. Enquanto são desenvolvidas soluções tecnológicas poderosas capazes de mudar os processos internos e estruturas organizacionais, muitas organizações têm falhado em abordar as dimensões culturais dessa era.

A criação do conhecimento organizacional é resultado da aprendizagem organizacional por meio de processos estratégicos. Nonaka define o conhecimento organizacional como

a capacidade de uma empresa como um todo para criar novos conhecimentos, disseminá-lo por toda a organização, e incorporá-lo em produtos, serviços e sistemas” dado o seguinte fluxo: Criação do Conhecimento → Inovação Contínua → Vantagem Competitiva

Se considerarmos que todos os processos levam à vantagem competitiva, podemos nos perguntar como a tecnologia afeta essa cadeia. Sugiro, então, o simples exercício de incluirmos a própria tecnologia na cadeia e temos então:

Criação do Conhecimento: a tecnologia provoca mudanças mais dinâmicas nas rotinas de processos, nesse caso acelerando o número de eventos de “criação” que podem ocorrer.

Inovação Contínua: a necessidade de responder aos eventos tecnológicos constantes faz com que os processos de inovação estejam presentes em todas as áreas.

Vantagem Competitiva: a tecnologia gerou uma maior competição em escala global. É mais do que natural a existência de vantagens competitivas que dependam da inovação tecnológica.

A criação de conhecimento é responsabilidade de todos na organização. Mas então chegamos ao maior dos paradoxos: as organizações podem “criar” pessoas que irão aderir a tais parâmetros? E sob quais condições a alta administração irá apoiar esse esforço? Mais uma vez, a tecnologia tem um papel importante a desempenhar na justificativa da necessidade de gestão do conhecimento.

  • Primeiro, os executivos ainda são desafiados a entender como eles precisam lidar com as tecnologias emergentes no momento em que consideram se suas organizações são capazes de usá-las de forma eficaz. A gestão do conhecimento mostra um caminho para que as empresas entendam de que forma a tecnologia será usada para apoiar a inovação e a vantagem competitiva.
  • Em segundo lugar, as áreas de TI precisam entender como podem trabalhar melhor dentro desse novo escopo organizacional até mesmo por estarem sempre à procura de uma missão real que contém resultados mensuráveis, como muitas vezes são solicitados por toda a empresa incluindo a alta direção. Em terceiro lugar, tanto os executivos quanto funcionários da TI concordam que compreender o uso da tecnologia é um processo contínuo que não deve ser utilizado exclusivamente de forma reativa e orientada a eventos.
  • Finalmente, a maioria das pessoas aceita o fato de que a tecnologia é um componente importante de suas vidas no trabalho e em casa: eles entendem que a tecnologia significa mudança e que a participação na criação do conhecimento é um papel importante. A tecnologia é então o início da estrada para a compreensão de como a aprendizagem organizacional é importante para a vantagem competitiva.
  • Consideremos então o conhecimento tácito e seu importante papel na gestão do conhecimento. Algumas teorias definem que gerir o conhecimento é uma capacidade de transferir conhecimento tácito individual em conhecimento explícito. Tal como um tipo de conhecimento e habilidade baseados em experiências e a capacidade individual de dar formas intuitivas para coisas novas antecipando e pré-conceituando o futuro. A tecnologia, por sua própria definição e forma, requer essa antecipação e pré-conceituação. Na verdade, ela é o caminho perfeito para transformarmos conhecimento tácito em conhecimento explícito. Assim, a gestão do conhecimento é ainda mais eficiente quando nos deparamos com maiores possibilidades tecnológicas.

Não é minha intenção sugerir que todas as tecnologias devem ou podem ser usadas para gerar vantagem competitiva. De fato, algumas tecnologias podem inclusive ser rejeitadas por não ajudarem a organização em termos de valor estratégico e vantagem competitiva. De fato, transferência de informação não é a transferência de conhecimento e gestão da informação não é a gestão do conhecimento, embora a primeira possa contribuir com a segunda. Pessoas e organizações podem sofrer de sobrecarga de informação.

Ao mesmo tempo que este é um problema significativo para muitas empresas, a capacidade de ter uma organização que pode selecionar, interpretar e integrar a informação é uma parte muito importante da gestão do conhecimento. Além disso os avanços da TI têm impulsionado grande parte da recente onda de reflexão das empresas em torno da gestão do conhecimento. É importante reconhecer que as organizações que aprendem, as práticas de reflexão e as comunidades participam de igual forma na criação de novo conhecimento organizacional. É por isso que a gestão do conhecimento é tão importante. O conhecimento deve ser construído em seus próprios termos – o que requer interações intensas e trabalhosas entre os membros da organização.

 

ROGÉRIO PITZER

Rogerio Pitzer, gestor do conhecimento, engenheiro e pai em tempo integral. Curioso e persistente por natureza, já atuou em empresas dos mais diferentes ramos e portes. Além de atuar no mundo corporativo, colabora atualmente em dois livros a serem publicados no mercado americano em 2017: “Evaluating Media Richness in Organizational Learning” e “Social Media for Knowledge Management Applications in Modern Organizations”. Para saber mais sobre sua formação e experiência profissional, acesse seu perfil no Linkedln.